Bastet
Antes de dominarem os sofás, os gatos já caminhavam entre deuses.
Antes de dominarem os sofás e a internet, os gatos já caminhavam entre deuses. No Egito Antigo, matar um gato era crime grave, e famílias inteiras rasparam as sobrancelhas em luto quando o seu morria. Não era excentricidade: era teologia. O animal que dorme dezesseis horas por dia e ainda assim mata a serpente no quintal parecia, aos olhos egípcios, ter sido feito de matéria divina.
Bastet reúne o que raramente cabe em uma mesma figura: proteção e mistério, delicadeza e ferocidade. Guardiã do lar, do parto, das mulheres e da alegria, ela é também a que defende o faraó com garras. Antes de ser gata, foi leoa — e essa memória nunca some. A doçura de Bastet nunca é ingênua; é uma ferocidade que escolheu descansar.
Talvez seja por isso que ela continua tão reconhecível. Quem convive com gatos sabe que o afeto deles não é obediência: é escolha, oferecida em silêncio e retirada sem aviso. Bastet ensina uma forma de força que não precisa rugir para existir — a que se enrosca no seu colo e, ainda assim, permanece indomada.
Qual foi o gato que atravessou a sua vida e ficou?
