Boitatá
A serpente de fogo que guarda os campos.
Boitatá vem do tupi: mboî (cobra) e tatá (fogo). A serpente incandescente que serpenteia pelos campos à noite é um dos registros mais antigos do folclore brasileiro — o padre José de Anchieta já a descrevia em 1560, espantado com o “facho que corre pelos campos”.
Diz a tradição que o Boitatá protege as matas e os campos de quem chega com fogo na mão. Quem queima o que é vivo encontra a serpente no caminho — e ela não negocia. É o guardião que usa a arma do invasor: fogo contra fogo, luz contra quem traz destruição.
Há algo de profundo nisso: a força que protege não é diferente da força que destrói — é a mesma, apontada na outra direção. O que em você queima por raiva poderia queimar por proteção. A chama é a mesma; a escolha é sua.
O que o seu fogo protege — e o que ele apenas queima?
