Buda
Antes de ser divindade, foi só alguém que parou de fugir da dor.
"Buda" não é nome — é título: o Desperto. A história de Sidarta Gautama começa com um príncipe protegido de tudo o que pudesse feri-lo, até o dia em que viu, fora dos muros do palácio, um doente, um velho e um morto. Não conseguiu mais fingir que a dor era assunto dos outros.
Saiu, buscou mestres, jejuou até quase morrer, e descobriu que nem o excesso nem a negação levavam a lugar nenhum. Sentado sob a figueira, entendeu as Quatro Nobres Verdades: existe sofrimento, existe causa para ele, existe fim — e existe caminho. Não prometeu escapar da dor. Prometeu atravessá-la sem se perder nela.
A cultura da autoajuda vende iluminação como conquista, mais um troféu para empilhar. Buda propõe o oposto: não é sobre acumular respostas, é sobre soltar o apego que fabrica o sofrimento — inclusive o apego a ser alguém especial.
Do que você foge que, se encarado de frente, talvez deixasse de doer?
