Cuca
O medo que não dorme.
Muita gente conheceu a Cuca como o jacaré do Sítio do Picapau Amarelo, ícone pop da TV brasileira. Mas ela é bem mais antiga: vem da coca ibérica, o papão que atravessou o oceano nas canções de ninar — “dorme neném, que a Cuca vem pegar”.
A Cuca não corre nem grita: ela domina o clima. O medo vira silêncio, o silêncio vira atenção, e quando você percebe, já está hipnotizado. É uma bruxa poderosa, antiga, esperta — a sombra que diz “aqui mando eu” sem levantar a voz.
Ela vive na fresta entre o sono e a vigília, exatamente onde moram os medos que não dormem nunca. E talvez seja essa a lição: o que ameaça uma criança na canção de ninar é o mesmo que visita o adulto às três da manhã. Só muda de nome.
Qual medo manda em você sem precisar levantar a voz?
