Lilith
A primeira a dizer não.
Antes de Eva, dizem os textos da tradição judaica medieval, houve Lilith: feita do mesmo barro que Adão, recusou-se a deitar-se abaixo dele — e preferiu o exílio à submissão. Por esse não, foi transformada em demônio pelas histórias que os outros contaram dela.
É esse o padrão que Lilith expõe: a mulher que não se curva vira monstro na boca de quem esperava obediência. A demonização é o preço histórico da autonomia — e Lilith pagou primeiro, para que o não existisse como possibilidade.
Na astrologia, a Lua Negra leva seu nome: o ponto onde o desejo não aceita domesticação. Lilith não é conselho de rebeldia barata — é a lembrança de que há coisas que só se conservam intactas quando alguém tem coragem de recusar.
Qual não você engoliu — e ainda sente o gosto?
