Jaci
A lua que vela sem julgar.
Na tradição tupi-guarani, Jaci é a Lua personificada, divindade da noite, do sono e dos amantes — protetora de tudo que cresce escondido do sol. Uma das lendas mais bonitas ligadas a ela conta a origem do guaraná: um menino de olhos vivos morre cedo demais, e Jaci, tocada, planta seus olhos na terra — nasce a planta cujo fruto, até hoje, parece um par de olhos abertos.
Enquanto o sol preside o mundo visível — trabalho, prazo, desempenho — Jaci preside o que só acontece na sombra: o sono que restaura, o desejo que não se explica, a semente que germina sem plateia. Não é ausência de força; é outro tipo de força, que não precisa de testemunha para ser real.
Vivemos cobrados a mostrar cada passo do nosso crescimento. Jaci lembra que nem tudo que floresce em nós precisa acontecer ao meio-dia, documentado. Algumas transformações só se completam na escuridão — e ainda assim são verdadeiras.
O que em você só cresce quando ninguém está vendo?
